UM PASSIVO MAIOR QUE O PRÓPRIO PASSIVO

Problemas financeiros existem e são uma realidade na maior parte dos clubes brasileiros. Fruto de amadorismo, da má fé, e tantas outras impronunciáveis razões. Comportamentos que geraram dívidas astronômicas, em alguns casos impagáveis, e que inviabilizam estas agremiações. Ao longo dos anos o nosso Clube Náutico Capibaribe também foi vítima deste mal e foram gerados passivos fiscais, trabalhistas e financeiros que nos colocaram na vergonhosa situação atual.

Entretanto, há um passivo maior que todos os passivos que citamos anteriormente. É o passivo da falta de credibilidade, da ausência de esperança, da negação de dias melhores no futuro. Este fenômeno é o que realmente ameaça a nossa existência a partir de agora. Pois além de estarmos à beira do abismo não há um líder ou um grupo capaz de aglutinar e convocar a nossa torcida a promover o nosso renascimento.

Este passivo foi fomentado no respaldo político aos maus gestores, nos equívocos administrativos, na falta de planejamento, na vaidade de pessoas pequenas mas que se achavam o centro da Terra; enfim, no desamor ao Clube. O que se fez criminosamente no Náutico foi tentar colher frutos sem antes analisar a qualidade das sementes.

Então eis aí o passivo da falta de credibilidade, da falta de estímulo, do descrédito, da descrença do torcedor nas pessoas. Isto culminou com o afastamento de sócios e grandes alvirrubros da vida do clube, e consequentemente com a natural “transmissão genética” do “sentimento Náutico” para as gerações posteriores sendo também interrompida.

Qualquer um de nós pode listar amigos e parentes que simplesmente deixaram de se preocupar com os destinos do Náutico, que não mais foram a jogos e não têm mais o clube como parte de suas vidas. Este passivo é muito difícil de ser resgatado. Vai precisar de gerações para que todo este prejuízo causado pela desconstrução promovida em anos seja sanado.

O passivo material – que gira em torno de R$ 150 milhões – pode até ser pago, caso haja uma grande mobilização. Mas o “passivo maior que o próprio passivo” precisa de uma mudança de cultura, de um resgate muito mais difícil que o financeiro. Somente uma mudança de postura e uma retomada dos valores do clube poderia fazer a gente eliminar este passivo.

Contudo, é preciso dar o primeiro passo, ter continuidade e planejamento. Plantar hoje para que nossos filhos e netos venham a colher os frutos destes movimento, sob pena de que o clube venha a ser, no futuro, apenas a lembrança de um grande clube que existiu em Pernambuco.

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